México faz Brasil correr atrás, em crescimento, mas as narrativas brasileiras são poderosas
18/06/12 10:39Apresentando o G20, o “New York Times” publica hoje à página A6 que “Líderes mundiais se encontram num México que agora faz Brasil correr atrás“. Em suma, “os mexicanos olhavam com inveja conforme os brasileiros ganhavam a reputação de povo escolhido da América Latina”, mas agora, “assim como a situação muda subitamente num jogo da Copa”, a economia mexicana cresceu mais que a brasileira em 2011, 3,9% a 2,7%. O jornal contrasta o segundo dado com os “7,5% no último ano do presidente Lula”.
O “Financial Times” vai pela mesma linha, ressaltando que o presidente mexicano, Felipe Calderón, defende “abertura, não protecionismo”, diferentemente do Brasil e da Argentina. Em suma, “o México, sob o Nafta, se tornou uma potência exportadora“. O Nafta é o acordo de livre comércio com os Estados Unidos.
Por outro lado, o “NYT” ouve, de um economista do banco Morgan Stanley, que o Brasil carrega “duas narrativas poderosas: se você acredita na China, acredita no Brasil; a segunda narrativa é ‘criamos as condições para a ascensão de uma classe média'”. Já no México “a história não tem sido tão positiva, com sua sorte vinculada aos EUA e o governo engajado numa guerra com gangues de drogas”, sob pressão de Washington.
Em sua apresentação do G20, a Associated Press diz que a cúpula começa com “suspiro de alívio pela eleição grega” e anota que “os últimos meses têm sido tão ruins quanto sempre para a danificada imagem internacional do México, com corpos despejados por todo o país, cinco jornalistas mortos e um alerta de viagem para americanos tomarem cuidado com retaliação”. No sábado, Calderón, cuja candidata à sucessão deve perder a eleição presidencial daqui a duas semanas, lamentou a jornalistas:
É uma questão que infelizmente põe o México no palco mundial pelas razões erradas.
Em sua apresentação do G20, a Reuters não tratou do México e priorizou a informação de que os Brics “devem confirmar que farão novos empréstimos ao FMI, embora algumas nações emergentes estejam frustradas com o ritmo lento na obtenção de maior poder na instituição”. Segundo uma autoridade do G20, a China deve contribuir com US$ 60 bilhões, Rússia, Índia e Brasil, cada um, US$ 10 bilhões.
Em blog no “FT”, “Crescimento do Brasil enfrenta um eclipse”. Paradoxalmente, o correspondente elogia como “a presidente Dilma Rousseff mostrou contenção”, evitando o “estímulo fiscal indiscriminado acompanhado por enorme crédito estatal, que caracterizaram a resposta do presidente Lula à crise financeira de 2008-2009“.
A sombra de Lula volta a crescer e a nova “Newsweek” publica, em artigo de Mac Margolis, com a foto acima, de Gustavo Miranda, que “o filho favorito do Brasil está livre do câncer, mas ele vai concorrer?”. Descreve a entrevista de Lula a Ratinho; diz que “ninguém esperava que ele fosse pescar” depois que, “em seus oito anos como presidente, virou uma lenda viva”; e destaca que “agora Lula parece decidido a explorar seu carisma na formação da próxima geração de políticos brasileiros, escolhendo a dedo candidatos a prefeitos em São Paulo e Recife, duas das maiores cidades do Brasil, irritando seus partidários locais”.
Ao fundo, a agência estatal France Presse noticia que o novo presidente da França, François Hollande, terá um encontro com Lula durante a Rio+20, nesta semana.